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Reduzir custo pode piorar a sinistralidade — e poucas operadoras percebem isso

  • Foto do escritor: UNDERTAKE EDUCAÇÃO CORPORATIVA
    UNDERTAKE EDUCAÇÃO CORPORATIVA
  • 7 de mai.
  • 2 min de leitura

Quando a sinistralidade sobe, a reação costuma ser imediata: cortar custo.


Renegociar tabela, restringir utilização, endurecer autorização. A lógica parece correta.

Mas, na prática, esse movimento pode gerar o efeito contrário: piorar a sinistralidade.


O erro de atacar o efeito


A sinistralidade é tratada, muitas vezes, como um problema isolado. Mas ela não é. Ela é consequência.


Consequência de:


  • Modelo assistencial

  • Qualidade da rede

  • Forma de utilização

  • Capacidade de coordenação do cuidado

  • Estrutura de gestão


Quando o foco está apenas no custo, o que se faz é atuar no efeito — não na causa.


O efeito colateral da redução de custo


Reduzir custo de forma isolada costuma gerar distorções. Na prática, aparecem movimentos como pressão sobre prestadores, redução de qualidade percebida, dificuldade de acesso e mudança no comportamento de utilização.


E isso altera a dinâmica assistencial. O resultado? Mais exames desnecessários. Mais internações evitáveis. Mais eventos de maior custo. Ou seja: o custo unitário pode até cair, mas o volume e a complexidade aumentam.


O que realmente move a sinistralidade


A sinistralidade não responde bem a ações isoladas. Ela responde a modelo. Operadoras que conseguem controlar melhor seus indicadores normalmente atuam em frentes como:


  • Gestão da rede assistencial

  • Coordenação do cuidado

  • Protocolos clínicos

  • Monitoramento de utilização

  • Integração entre áreas


Não é apenas sobre cortar custo. É sobre organizar a forma como o cuidado acontece.


O papel da gestão


Esse é o ponto central. Sinistralidade não é um problema financeiro. É um problema de gestão.


Quando não há direcionamento claro, integração entre áreas, uso consistente de dados e governança sobre decisões assistenciais, a tendência é atuar sempre no curto prazo.


E o curto prazo, nesse caso, costuma custar caro.


Na prática


Em experiências de gestão mais estruturada, o ganho em sinistralidade não veio de cortes diretos. Veio de organização.


Quando há:


  • Rede assistencial bem definida

  • Critérios claros de utilização

  • Acompanhamento contínuo

  • Alinhamento entre áreas técnicas


O comportamento muda e a sinistralidade responde.


Conclusão


Reduzir custo pode parecer a solução mais rápida. Mas, quando feito sem estrutura, pode piorar o problema.


Porque altera o sistema sem resolver suas fragilidades. Na saúde suplementar, a pergunta não deveria ser: “Onde cortar custo?”


Mas outra: “O que está gerando esse custo?”


Porque, no final, sinistralidade não é sobre gasto, é sobre como o sistema funciona.



 
 
 

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