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O organograma que realmente decide

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    UNDERTAKE EDUCAÇÃO CORPORATIVA
  • há 58 minutos
  • 3 min de leitura

Reflexão Undertake nº 41

Temporada 2 | Episódio 2


Há um documento presente em praticamente todas as organizações. Ele costuma ser apresentado durante a integração de novos colaboradores, aparece nas apresentações institucionais, é utilizado em auditorias e ajuda a explicar, de forma simples, quem responde a quem.


Chamamos esse documento de organograma.


À primeira vista, ele parece representar fielmente a organização, com seus Diretores, Gerentes, Coordenadores, Equipes, Linhas de autoridade e Fluxos de decisão. Tudo organizado de maneira lógica. O problema é que existe uma pergunta que quase nunca fazemos.


Será que é assim que as decisões realmente acontecem?


Dois organogramas convivem na mesma organização


O organograma oficial é indispensável.


Ele define responsabilidades, distribui autoridade e oferece clareza institucional.

Sem ele, dificilmente uma organização conseguiria crescer mantendo um mínimo de coordenação. Mas basta observar algumas semanas de trabalho para perceber que outro desenho começa a surgir.


Há pessoas que não ocupam posições de destaque e, ainda assim, influenciam decisões importantes. Há gestores que possuem autoridade formal, mas pouca capacidade real de mobilização. Há profissionais que conectam áreas, antecipam conflitos e fazem a informação circular sem que isso apareça em qualquer documento institucional.


Pouco a pouco, forma-se um segundo organograma, que não está registrado em nenhum manual e não aparece nas apresentações corporativas. Mas explica muito melhor por que determinadas decisões avançam, enquanto outras permanecem paralisadas.


O poder raramente percorre apenas as linhas do organograma


Em muitas organizações, uma mudança precisa da aprovação formal de um diretor. Entretanto, todos sabem que ela dificilmente prosperará se determinada liderança informal não acreditar na proposta.


Da mesma forma, alguns projetos fracassam não por falta de recursos ou de planejamento, mas porque ignoraram pessoas que exercem enorme influência, embora ocupem posições discretas na estrutura oficial.


Isso acontece porque influência e autoridade não são sinônimos. A autoridade pode ser atribuída. A influência precisa ser conquistada.


E é justamente essa diferença que faz com que organizações aparentemente muito semelhantes apresentem capacidades completamente distintas de executar suas estratégias.


O organograma invisível


Gostaria de propor uma imagem simples.


Imagine duas transparências sobrepostas.


Na primeira está o organograma oficial.


Na segunda estão as relações de confiança, os vínculos construídos ao longo do tempo, os profissionais que todos procuram quando precisam resolver um problema, aqueles que aproximam equipes, reduzem conflitos ou ajudam decisões difíceis a acontecer.


Quando as duas imagens se sobrepõem, temos algo muito mais próximo da organização real.


É esse desenho invisível que determina a velocidade da colaboração, a qualidade das decisões e, muitas vezes, o sucesso ou o fracasso de uma transformação.


Talvez possamos chamá-lo de Organograma Vivo.


Não porque substitua o organograma formal, mas porque revela como a organização realmente funciona quando as pessoas começam a trabalhar.


É por isso que algumas mudanças parecem inexplicavelmente difíceis


Há organizações que investem tempo, recursos e planejamento para redesenhar estruturas. Alteram cargos, criam diretorias, reposicionam departamentos e atualizam o organograma oficial.


Mesmo assim, poucos meses depois, tudo parece voltar ao padrão anterior. Frequentemente, a explicação não está na estrutura. Está no fato de que o Organograma Vivo permaneceu exatamente o mesmo.


As relações de confiança continuaram iguais, os fluxos informais de decisão permaneceram intactos e as pessoas continuaram recorrendo aos mesmos interlocutores para resolver os problemas de sempre.


Mudou o desenho, mas não mudou a dinâmica.


Talvez liderar também seja aprender a enxergar esse segundo desenho


Uma das maiores habilidades de um líder não é apenas conhecer a estrutura formal da organização, mas compreender a rede de relações que sustenta essa estrutura todos os dias.


Quem aproxima pessoas? Quem traduz decisões difíceis? Quem influencia sem autoridade formal? Quem conecta áreas que raramente conversam?


Responder a essas perguntas costuma revelar muito mais sobre a capacidade de transformação da organização do que qualquer atualização do organograma oficial.


Antes da próxima reunião...


Observe sua organização durante uma semana.


Não olhe para os cargos, olhe para os movimentos.


Quem as pessoas procuram quando precisam de ajuda?


Quem costuma ser consultado antes das decisões importantes?


Quem consegue reunir áreas diferentes em torno de um mesmo objetivo?


Agora compare essas respostas com o organograma oficial. Talvez você descubra que existem duas organizações convivendo no mesmo lugar. Uma está nos documentos. A outra determina o que realmente acontece.


Reflexão Undertake

Toda organização possui uma estrutura formal que organiza responsabilidades e uma estrutura invisível que organiza a confiança. Compreender apenas a primeira é administrar cargos. Compreender as duas é começar a entender como as organizações realmente funcionam.

 
 
 

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