O maior obstáculo para o crescimento raramente está no mercado. Normalmente está dentro da empresa.
- UNDERTAKE EDUCAÇÃO CORPORATIVA

- 24 de jun.
- 3 min de leitura
Quando uma organização não alcança os resultados que deseja, é comum que as explicações apontem para fatores externos.
O mercado está mais competitivo e com uma economia está instável, os custos aumentaram, os clientes mudaram de comportamento e a regulação ficou mais complexa.
Tudo isso pode ser verdade, mas, ao longo da minha experiência em projetos de gestão e transformação organizacional, percebi que existe uma pergunta que merece ser feita antes de qualquer outra: a empresa está realmente disposta a mudar para alcançar o resultado que deseja?
Porque existe uma contradição muito comum no ambiente corporativo. Quase toda organização deseja crescer, ser mais eficiente e melhorar seus resultados. Mas nem toda organização está disposta a revisar os comportamentos, processos, estruturas e decisões que a trouxeram até aqui.
Esse fenômeno é mais comum do que parece. As empresas desejam resultados diferentes mantendo exatamente o mesmo modelo de funcionamento.
Querem mais produtividade sem revisar processos.
Querem mais velocidade sem rever estruturas de decisão.
Querem mais inovação sem alterar práticas consolidadas.
Querem mais integração sem enfrentar silos organizacionais.
Em outras palavras: desejam a mudança dos resultados, mas não a mudança do sistema que produz esses resultados.
Existe uma razão para isso. Mudança organizacional raramente é um desafio técnico, na maioria das vezes, é um desafio comportamental.
As organizações sabem o que precisa ser feito. Quais processos precisam ser ajustados, quais decisões precisam ser tomadas e quais problemas precisam ser enfrentados. O difícil não é identificar, é executar.
Porque toda transformação relevante exige algum nível de desconforto. E poucas empresas gostam de lidar com desconforto.
Ao longo dos anos, percebi que as iniciativas de transformação mais bem-sucedidas possuem algumas características em comum:
Elas não começam pela tecnologia.
Não começam pelo organograma.
Não começam pelo software.
Elas começam pela liderança.
Porque, no final, as pessoas observam muito mais o comportamento dos líderes do que os discursos sobre mudança.
Se a liderança continua tomando as mesmas decisões, a organização entende rapidamente que nada realmente mudou.
Na saúde suplementar, essa realidade é particularmente visível. O setor vive um cenário de pressão crescente com aumento dos custos assistenciais, mudanças regulatórias, exigências dos beneficiários, novas tecnologias e modelos assistenciais em transformação.
E, ainda assim, muitas organizações tentam enfrentar desafios novos utilizando estruturas desenhadas para uma realidade que já não existe. Não por falta de competência, mas porque toda mudança relevante exige revisão de hábitos, prioridades e formas de gestão.
E isso nunca é simples.
O mesmo acontece em empresas de qualquer segmento. Muitas vezes, o crescimento encontra um limite invisível. A empresa chega a um ponto em que o modelo que permitiu sua evolução deixa de ser suficiente para sustentar a próxima etapa.
O problema é que nem sempre isso é percebido. Os gestores continuam aumentando esforço. As equipes continuam trabalhando mais, mas os resultados deixam de responder na mesma proporção.
Nesse momento, normalmente não falta dedicação, falta transformação.
Existe uma frase que gosto muito quando discutimos evolução organizacional: "O que trouxe a empresa até aqui não será necessariamente o que a levará para o próximo nível."
Essa reflexão costuma ser desconfortável, mas também costuma ser verdadeira, porque crescimento sustentável exige adaptação. E adaptação exige mudança.
Talvez uma das perguntas mais importantes para qualquer dirigente seja esta: Se a empresa mantiver exatamente os mesmos comportamentos dos últimos três anos, ela estará preparada para os próximos três?
A resposta normalmente revela o tamanho do desafio que existe pela frente.
No final, toda empresa quer crescer. Mas crescer não depende apenas de estratégia, de investimento ou apenas de esforço. Depende da disposição de mudar aquilo que já não serve mais, porque o maior obstáculo para o crescimento raramente está no mercado.
Frequentemente, ele está dentro da própria organização.





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